Drifting Boat

 

A drifting boat run that’s what it feels like living in Mozambique. Each day is a surprising ride. Some I like, some I don’t.

 

In political terms, Mozambique was once ruled with iron hands. Though I never sailed the socialist utopia, I recognize that former political rulers had wisdom and a vision for this country. But then there was some money in the piggy bank, along with the expected hope of new projects and the freshness of a leading class born from an indisputable fight for freedom.

 

Today the political cleverness disappeared proportionally to the piggy bank wear. After consecutive interpretations of leadership, the intentions of the ruling class are much more clear, their indifference towards the destiny of people palpable. Power is, above all, what comes with it, not what they have to give because of it.

 

Leadership is at low tide and hope is a senseless word round here. People have to be tired of living without hope. If they had trustable political options, they would fight differently. Not believing in politics any more, they fight their own causes. That’s how I see today Mozambique.

 

It’s kind of strange the above rambling when our “ship” is riding favorable winds and I am in a particular good mood. Andy is busy with fun and plans, if not for life at least for the immediate time. TD has spend the weekend in Namaacha, location of his group’s new music clip. JP informed with the blasé tone of his that one of the Americans girls he recently was with at the Kruger Park “confessed to be in love with him”.

 

Paul looks calm and content, now that he spends a good part of his time “investigating” Seabell’s giddiness. As soon as awaken, I realized I had been sleeping with half of my pyjamas the wrong side, a sure sign of a gift. The second thing I noticed was the stain of a small charming spider against the white of the wall, another promising sign. After this hopeful start, I’ve spent the most amazing day at the club, meeting old and recent friends. A sparkling sunny day is already the best gift I can imagine for myself.

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Viver em Moçambique é como uma viagem num barco à deriva. Cada dia traz uma nova surpresa. De algumas eu gosto, de outras não.

 

Em termos políticos, Moçambique foi governado no passado com mãos de ferro. Ainda que eu nunca tenha navegado a utopia socialista, reconheço que os líderes politicos do passado tinham sabedoria e uma visão para este país. Mas então existia algum dinheiro no mealheiro, a par da esperança característica de novos projectos e a frescura de uma classe dirigente nascida da indescutível luta pela independência.

 

Hoje o brilho político desapareceu na mesma proporção do desgaste do mealheiro. Depois de interpretações consecutivas sobre liderança, as intenções dos que detêm o poder são muito mais claras, a sua indiferença em relação ao destino do povo é palpável. O poder é, acima de tudo, aquilo que vem com ele e não aquilo que é preciso dar por causa dele.

 

A liderança está em período de maré-vazia e esperança é uma palavra sem sentido por aqui. As pessoas têm necessariamente de estar cansadas de viver sem esperança. Se as pessoas tivessem opções políticas válidas, elas lutariam de forma diferente. Não acreditando mais em políticos, elas lutam pelas suas próprias causas. É assim que vejo o Moçambique de hoje.

 

É estranho que este assunto me ocorra quando o nosso “barco” navega ventos favoráveis e eu estou de muito bom-humor. O Andy diverte-se e faz planos, se não para a vida pelo menos para os próximos tempos. O TD passou o fim-de-semana na Namaacha, local onde estão a filmar imagens para o novo clip musical do grupo de que ele faz parte. O JP informou-me, com o seu modo blasé, que uma das raparigas americanas com quem ele esteve recentemente no Kruger Park “confessou estar apaixonada por ele”.

 

O Paul anda calmo e satisfeito, agora que passa uma boa parte do seu tempo “investigando” as vertigens da Seabell. Logo que acordei reparei que tinha dormido com metado do meu pijama no avesso, sinal seguro de que vou receber uma prenda. A segunda coisa que notei foi a mancha de uma pequenita aranha na parede branca, outro sinal de boa-sorte. Depois deste começo promissor, passei um belo dia no clube, onde encontrei velhos e recentes amigos. Um cintilante dia de sol já é a melhor prenda que posso imaginar para mim.

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