My African Life IV

 

Andy and Paul’s morning starts usually very early, at least during the summer. At five the first lights are already burning the horizon. Six to nine is a good period for hard jobs, like Andy’s mechanics or JP’s fishing expeditions. Around 6am the guard who stayed for the night goes home and the other takes his place.

 

Andy and Paul have breakfast together, while the important conversations of the day usually happen. The morning is more or less busy, depending on the circumstances. Breakfast here has the funny name of “matabicho”, translating to English the meaning is “kill the bug”. Crazy way that of calling the morning appetite! And it has to be enormous to be killed!

 

For an appetite like that, only a good breakfast. Traditionally, Mozambican breakfast used to be an important meal, but currently most of the families are glad if they can have bread and tea before leaving for work.

 

Andy likes coffee and eggs, but he usually waits for Tieta. He has a light morning starter and a middle morning breakfast, while Paul is pro fruit, porridge and tea. It is also a local tradition to have a mid morning snack, especially during summer when mornings are very long and tiresome.

 

Except for Sundays, when lunch can start only at 2pm and go until late afternoon, the working day lunch is around noon. Our lunch consists of a green salad, a main course and fruit. I have a simple system organized to avoid the everyday torture of answering to the question: “What shall we have today?” It goes like this: Monday, we always have chicken; Tuesday is meat turn; Wednesday is for fish; Thursday, chicken again; Friday is good for fish; Saturday we have barbecue, curry, seafood or beans stew, foods that we like the best; finally, Sunday we go out. 

 

Teatime is usually an individual option, a lot more popular during winter than summer, when teatime is for meeting friends and share a couple of beers. The three of us are soup fanatics for dinner and if we have something else is lunch leftovers or anything easy to prepare.

 

My role in the process of maintaining the home-machine working is merely organizative. I have the Friday shopping and to make sure everything is functioning. Sometimes we have to feed up to ten people and that requires some planning. I do like domestic interventions, from time to time. What I really enjoy in my domestic existence is organizing our drawers or de-cluttering, in general. I just love the gesture of opening a drawer and see how neat and clean it is! I think this kind of hobby has a lot to do with my previous experience as shop owner and an old tendency for perfectionism, fought but not entirely forgotten.

 

I try to keep moving from the moment I wake up to late afternoon, when I become a little sedentary: I write, work with Paul, read, watch a movie or listen to music. For Paul, who sleeps early, this is already pyjamas time. For Andy, it is bath and going out with friends or girlfriend.

 

Most of the time I am the last one to fall asleep. Even after reading a while, I sit listening to the intriguing sounds of the night. More often I quietly dive in the dark when it rains and an extensive orchestra of crickets and frogs plays with no rest. In these sleepless nights, I am only alerted to the late hour when George or Albert start the usual morning routine: watering the plants, pumping water for three reservoirs and sweeping the dead leaves left after the rain. That’s more or less our life, with very little of African!

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A manhã do Andy e do Paul começa normalmente muito cedo, pelo menos durante o Verão. Às cinco, as primeiras luzes do dia já queimam o horizonte. Das seis às nove é um bom período para trabalho duro, como a mecânica do Andy e as expedições de pesca do JP. Por volta das seis horas o guarda que ficou durante a noite é rendido pelo outro.

 

O Andy e o Paul tomam o pequeno almoço juntos, altura em que mantêm as conversas importantes do dia. A manhã é mais ou menos ocupada, dependendo das circunstâncias. O pequeno almoço tem aqui o engraçado nome de “matabicho”, uma forma maluca de designar o apetite matinal. E ele tem de ser enorme para ser preciso matá-lo!

 

Para um apetite desses, só um bom pequeno almoço. Tradicionalmente, o pequeno-almoço moçambicano costumava ser uma refeição importante, mas hoje a maior parte das famílias já se contenta se tiver pão e chá antes de sair para o trabalho.

 

O Andy gosta de café e ovos, mas ele geralmente espera pela Tieta. Ele começa a manhã com qualquer coisa leve e faz um pequeno almoço a meio da manhã, enquanto o Paul gosta de fruta, porridge e chá. É também tradição local petiscar qualquer coisa a meio da manhâ, especialmente durante o Verão quando as manhãs são longas e cansativas.

 

O meu papel no processo de manter a máquina-doméstica a funcionar é meramente organizativo. Tenho de fazer as compras na sexta-feira e garantir que tudo funciona. Às vezes temos de dar de comer a dez pessoas e isso exige algum planeamento. Eu gosto de intervenções domésticas, de vez em quando. O que eu mais gosto na minha existência doméstica é de organizar as nossas gavetas e deitar fora a tralha que se acumula. Adoro o gesto de abrir uma gaveta e ver como ela está arrumada e limpa! Eu penso que esta espécie de hobby tem muito a ver com a minha experiência anterior nas nossas lojas e a velha tendência de ser perfecionista, coisa que combati mas ainda não esqueci inteiramente.

 

O lanche é geralmente uma opção individual, muito mais popular durante o Inverno do que no Verão, quando o lanche é altura de se reunir com amigos para beberem algumas cervejas juntos. Nós os três somos malucos por sopa ao jantar e se comemmos qualquer coisa mais são restos do almoço ou qualquer coisa fácil de preparar.

 

À excepção dos domingos, quando o almoço pode começar só às duas da tarde e prolongar-se até à tardinha, nos dias úteis o almoço é por volta do meio-dia. O nosso almoço consiste de uma salada fresca, um prato principal e fruta. Eu organizei um sistema simples para evitar a tortura diária de responder à questão: “O que vamos comer hoje?” É assim: segunda~feira é sempre galinha; terça, é a vez de carne; quarta~feira é para peixe; quinta, galinha de novo; sexta é bom dia para peixe; no sábado fazemos churrasco, carril, marisco ou feijoada, comidas de que gostamos mais; finalmente, no domingo, vamos almoçar fora. 

 

Eu tento manter-me ocupada desde o momento em que acordo até ao fim da tarde, quando me torno um pouco sedentária: escrevo, dou algum apoio ao Paul, leio, vejo um filme ou oiço música. O Paul, que se deita cedo, a essa hora já gosta de estar de pijama. Para o Andy, é tempo de tomar banho e sair com amigos ou namorada.

 

Geralmente eu sou a última a dormir. Mesmo depois de ler um pouco, muitas vezes sento-me para ouvir os estranhos sons da noite. Esses meus mergulhos na escuridão acontecem com mais frequência quando chove e uma grande orquestra de grilos e rãs toca sem cessar. Nessas noites sem sono, só me apercebo da hora tardia quando o George ou Albert começam a executar a routina matinal: regar as plantas, bombar água para três reservatórios e varrer as folhas caídas depois da chuva. Esta é mais ou menos a nossa vida, com muito pouco de africano!

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