3 no 33

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Lembras-te das casas
de varandas ensolaradas
das janelas de sacadas
e de súbitas risadas?

 

Lembras-te das mansardas
de ausências veladas
das alegrias sem medo
e de sombras com segredo?

 

Tu, que também conheceste o degredo!

 

Tu, eu e ela
as três
no número 33.

 

Tu, eu e ela
e tanta janela
algumas para a vida
outras sem saída.

 

Ela tão merecida
da liberdade
em três casas
conseguida.

 

Lembras-te da felicidade dela
que só a minha teimosia
temia?

 

Eu, sempre fugida
e achada.

 

Tão segura
tão ansiosamente
desesperada!

 

Entre a faca e a machada…

 

Hoje só consigo odiar
quem não tem nada para dar.

 

Tu, que levas o meu nome
e és mansa como fonte
encantada!

 

E logo desapontada.

 

Lembras-te?

 

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2 thoughts on “3 no 33

  1. Obrigada Seabell, o poema é lindo! Obrigada. Lembro-me de todas as casas onde vivemos e lembro-me que todas tinham o seu “charme” que nos devem ter “marcado”. O dia foi bom e, além do teu poema, ainda tive outra “prenda” que te vou explicar noutro sítio. Bjs

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